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quarta-feira, 16 de julho de 2008

CRIMINALIDADE - BANCO DE DADOS

imagem obtida neste site

Resumo e links de notícias interessantes sobre criminalidade:


NOVO * Matou a avó e a empregada; condenado a 29 anos
--> Gustavo de Macedo Pereira Napolitano; estudante de Direito, com 22 anos à época (2202);
--> o crime foi em São Paulo; a avó, de 73 anos, foi morta sobre a cama, tinah problemas de saúde e não se locomovia sozinha; já a empregada, que tinah 20 anos, recebeu 53 facadas;
--> já havia sido condenado anteriormente, neste 2o julgamento defesa propôs acordo com promotoria, que o aceitou, o que reduziu a pena em 5 anos;
--> o acusado alegou estar sob efeito de drogas ("Eu jamais teria feito a barbaridade que cometi se não estivesse drogado, fora de mim."), mas não quis tentar a defesa por insanidade, temendo passar um tempo muito grande em manicômios judiciários; com o acordo, os peritos que antes atestaram sua insanidade no momento do crime foram dispensados;
--> no dia anterior ao crime, o estudante havia trocado um carro por cocaína;
--> como ele já cumpriu 6 anos em regime fechado, já pode ser solicitado o regime semi-aberto.


ARQUIVOS

ANÁLISES

* Coletânea de artigos sobre o caso Isabella Nardoni e similares
--> escritos por mim


CASOS

* "Viúva da Mega-Sena"
(FOTO)
--> (ATUALIZAR)

* Torturadora de garota em Goiânia (GO) condenada a quase 15 anos de cadeia
--> empresária Sílvia Calabresi de Lima torturava garota de 12 anos, sua "filha adotiva"; mãe biológica é acusada de ter vendido a garota e ainda não foi julgada;
--> empregada que ajudava a empresária na tortura foi condenada à metade da pena; ambas em regime fechado;
--> esposo da empresária, acusado de omissão, prestará serviços à comunidade; o filho dela foi inocentado;
--> na tortura, além de surras habituais, eram empregados artifícios como amordaçá-la com pano embebido em pimenta, queimá-la com o ferro de passar, apertar um alicate na língua da garota, obrigá-la a ingerir fezes de animais etc.;
--> leia uma análise do caso da garota torturada por empresária em Goiânia (de minha autoria).


Observação: veja também a tag "cleptomania".

(...) Ler o texto completo

segunda-feira, 30 de junho de 2008

CLEPTOMANIA - BANCO DE DADOS

imagem obtida neste site e editada posteriormente

Resumo e links de notícias interessantes sobre cleptomania (roubo patológico):


ANÁLISES

* Furtos em lojas de departamento: os funcionários são os gatunos (29/06/08)
--> nas grandes redes de supermecado de São Paulo, para cada produto roubado por um cliente, 10 são roubados por próprios funcionários, que conhecem brechas do sistema de segurança; cerca de 67% dos furtos são praticados por mulheres (algumas, senhoras "insuspeitas"), porém os homens procuram produtos de maior valor;
--> a maioria aparenta nervosismo e fica em atitude suspeita, porém alguns são despreocupados;
--> quando confrontados, tentam negar, depois pedem desculpas e dizem ter dinheiro para pagar.


CASOS

* Presa integrante de gangue de idosas que furtava até em igrejas (06/06/08)
--> agiam em Fortaleza (CE), há cerca de 7 meses; há suspeitas que atuaram também em outros estados do Nordeste; acredita-se que o grupo tenha ao menos seis integrantes, que simulavam desequilíbrio, esbarrões etc.

* Preso "Ladrão de geladeiras" em Osasco (SP) (21/02/08)
--> homem de 23 anos entrava nas casas e aparentemente não levava nada de valor; ele tem 3 passagens anteriores por furto;
--> em uma casa, fritou um ovo e foi embora, em outra, tomou um suco de laranja;
--> posteriormente descobriu-se que levou também alguns objetos mais valiosos, como aparelho de MP3 e celular, e os revendeu;
--> alegou que furtava comida por não ter o que comer.


Observação: um das definições de cleptomania é o furto de objetos sem valor. Algumas das notícias arquivadas aqui referem-se a furtos de objetos de maior valor. Contudo, considerando-se que foram praticados por pessoas que aparentemente não necessitavam furtar o objeto, também podemos considerar como cleptomania.
Casos interessantes de furtos de objetos de valor serão agrupados na tag "criminalidade", assunto que também interessa à Psiquiatria (Forense).

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sábado, 17 de maio de 2008

COLETÂNEA DE ARTIGOS SOBRE O CASO ISABELLA NARDONI

Nas últimas semanas escrevi alguns artigos para o jornal O Popular, de Goiânia (GO), que, de uma maneira ou de outra, tangenciam o caso Isabella Nardoni. Como o assunto ainda interessa a muitas pessoas, preparei aqui uma coletânea destes artigos.

Segue-se um breve resumo do assunto de cada um deles:

* A beleza acorrentada e torturada (19/03) - a mente dos que praticam violência contra crianças

* Foi o remédio. Ou a falta dele... (16/04) - a mania de se usar transtornos mentais como desculpa para os crimes

* Isabella Nardoni e O Eterno Retorno (29/04) - a falsa sensação de que a violência está aumentando

* O caso da garota... Ariana Toledo (16/05) - como os escândalos caem no esquecimento

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sexta-feira, 16 de maio de 2008

O CASO DA GAROTA... ARIANA TOLEDO

(Artigo publicado no jornal O Popular de 16/05/08.)

Não gosto muito de jornais. Se algo é notícia, é porque foge do esperado, caso a sociedade funcionasse harmonicamente. Ou seja, a notícia tem alguma relevância, enquanto fato. Mas geralmente o jornal faz com que a relevância acabe no próprio fato, pois fatos novos substituem os antigos sem que os antigos tenham gerado alguma reflexão mais profunda. Talvez seja mesmo por causa desta falta de reflexão que quase nada mude, e tantos fatos fora da normalidade esperada continuem a ocorrer.

Este caráter efêmero dos fatos não é culpa dos jornalistas nem do “dono do jornal”. Jornais assim são porque assim querem os leitores, que não querem ler uma tese de mestrado por dia. Nem eu. Mas a rapidez com que as notícias se sucedem também me incomoda um pouco. Por isto gosto destas páginas de Opinião, um gancho entre o que foge tão rápido e o que merece ficar um pouco mais.

Uma notícia, por si só, não tem valor nenhum, pois provavelmente algo parecido já aconteceu antes e algo parecido voltará a ocorrer. Desta forma, em meus artigos uso o “fato do dia” apenas como isca, tentando aprofundar o pensamento não sobre aquele fato em si, mas sobre todos fatos semelhantes àquele, incluindo os passados e os futuros.

Assim, o caso da garota Isabella não tem importância quase nenhuma para a história. Coisas piores já aconteceram e acontecerão. O mais incomum nesse imbróglio todo, a meu ver, é a aglomeração de pessoas em fúria na porta de qualquer lugar em que o casal acusado se encontre.

O crime em si é relativamente comum. Uma pequena nota no jornal do dia 14 de maio, por exemplo, falava da condenação de uma mãe que em 2006 matou, a facadas, seus dois filhos, uma menina de 4 anos (a Ariana do título) e um bebê de 6 meses, tudo isto porque “não agüentava mais as constantes brigas com o companheiro”. (As pequenas notícias sempre são mais importantes, repare isso.)
Incomum é o linchamento, em grandes capitais. Se não houvesse a proteção policial, talvez o casal tivesse sido assassinado pela multidão. Isso realmente me intriga, entender porque, neste caso específico, a situação chegou a esse ponto, e no caso da garota Ariana não.

Será que o próprio fato de haver proteção policial seria um fator a incitar não apenas a presença do “público” como a sua agressividade? Tipo: “Me segura para eu não brigar...”

Não tenho respostas para isso. Talvez nem tempo para pensar. Nem espaço para escrever. Fim.

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terça-feira, 29 de abril de 2008

ISABELLA NARDONI E O ETERNO RETORNO

(Artigo publicado no jornal O Popular de 29/04/08.)

Há pouco mais de 5 anos, em 14/02/2003, era publicado o meu primeiro artigo neste jornal: “A sociedade não está tão ruim assim...”. Lembrei-me dele por duas notícias que li esta semana: os julgamentos do médico que esquartejou uma amante e do pai que arremessou um bebê contra o parabrisas de um carro em movimento. Lembrei-me do meu primeiro artigo porque nele citei esses dois casos, entre outros, que chamavam tanto a atenção da mídia e despertavam a curiosidade e indignação do povo quanto hoje ocorre com o caso Isabella – e quanto ano passado ocorreu com o garoto João Hélio (Lembra-se? Arrastado em um carro, por ladrões, por quilômetros.).

Estas notícias atuais, sobre os julgamentos, foram pequenas, de pouca chamada, quase um rodapé em jornais e programas televisivos, ofuscados pelo caso da garota Isabella, estrangulada (pela madrasta?) e jogada (pelo pai?) do 6o andar. (Não, não escreverei sobre a lentidão em se fazer Justiça no Brasil.)

Naquele artigo, defendia que as pessoas tinham uma impressão de que a violência estava aumentando e de que os crimes estavam cada vez mais bárbaros, mas, na verdade, considerando-se outras épocas da história, talvez estivéssemos é evoluindo. Evoluindo no ritmo de “dois passos para frente e um para trás”, admiti. E que o aumento absoluto da criminalidade é esperado com o aumento da população (e da concentração desta em grandes cidades, penso hoje). E que talvez saibamos hoje de crimes demais porque temos acesso muito fácil à informação de quase qualquer lugar o mundo.

Contudo, fechei o artigo aberto à possibilidade de que talvez estivéssemos mesmo, a humanidade, entrando numa fase de declínio, “só o futuro dirá”. Pois bem, o futuro chegou, não um futuro longínqüo, mas definitivamente aqueles casos acabam de virar passado. E o que mudou?

A meu ver, quase nada (mais fios brancos e títulos mais bonitos para os artigos?). As pessoas continuam boquaibertas em frente à tevê, agora abismadas com a gratuidade da violência do caso Isabella. Mês passado foi a garota goiana torturada pela madrasta. Mês que vem será outro fato de magnitude semelhante.

Hoje vejo apenas que não percebi dois fatores essenciais para essa sensação de violência crescente: a amnésia e o interesse por sangue novo (literalmente). Um filósofo alemão, Nietzsche (1844 - 1900), disse que tudo o que aconteceu um dia tornará a acontecer novamente, eternamente. Mas o eterno retorno não precisa aguardar eternidade toda para ocorrer... A amnésia do que aconteceu há cinco anos é suficiente para que tudo seja vivido como novo, como se fosse a primeira vez que isso acontecesse na história da humanidade.

Seria simples culpar apenas a amnésia. Mas por que é que esses julgamentos atuais não são manchete? Porque “não vendem jornal”. Porque já nos satisfizemos o suficiente com aquelas histórias. Morbidamente, agora queremos nos saciar de Isabella Nardoni. Com todos os detalhes possíveis.

Mas só até o mês que vem, quando nos chocaremos novamente com algo e perguntaremos: “Aonde esse mundo vai parar, meu Deus?”...

(Leia a continuação, ou o retorno, deste texto daqui a cinco anos...)

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quarta-feira, 16 de abril de 2008

FOI O REMÉDIO. OU A FALTA DELE...

(Artigo publicado no jornal O Popular de 16/04/08.)

Não sei em quê vai dar a investigação do caso da garota Isabella Nardoni, jogada do 6o andar de um prédio em São Paulo. Mas uma das hipóteses é que pai ou madrasta acabem por confessar o crime e alegue algo como “um surto temporário”.

Há muito tempo a lei já não aceita “emoção” ou “paixão” (nem embriaguez) como motivos suficientes para a inocência – afinal, em todo ato há alguma “emoção” envolvida, e se fôssemos aceitar a emoção como justificativa, quase nada poderia ser punido e a barbárie estaria oficialmente instaurada. Assim, todo marido traído sabe que vai ter que guardar para si a sua raiva, não podendo mais “lavar a honra” tirando a vida do “Ricardão” ou da esposa.

Mesmo assim, os transtornos psiquiátricos ainda são uma boa escapatória legal. Se houver algum transtorno no momento de um crime, e houver uma relação entre o dois, a pena pode ser diminuída ou mesmo considerar-se o autor inimputável – isto é, não será condenado (mas geralmente é obrigado a ficar internado, até que se considere não haver mais o transtorno mental ou riscos por causa do transtorno).

Na falta de outra alternativa, muitas vezes tenta-se usar um suposto transtorno mental como justificativa. Isto às vezes cansa a nós, psiquiatras, pois é apenas mais um entre tantos fatores que ajudam a estigmatizar não apenas nossa profissão mas, especialmente, os portadores reais de transtornos mentais. A atitude de tentar justificar um crime alegando “insanidade mental” só reforça o tabu de que “os loucos são perigosos”.

Lembro-me de alguns casos recentes. Estilista Ronaldo Ésper furta vasos em cemitério – alegou que tinha tomado dois comprimidos no dia. Rabino Henry Sobel furta gravata nos EUA – alega que estava sob efeito de remédios. (Assim como chamam os antidepressivos de “a pílula da felicidade”, parece que agora temos a “pílula do furto”). Funcionária pública goiana é acusada de desvio de dinheiro, usado boa parte em clínica de estética – passa-se uns dias em uma clínica. Empresária goiana é acusada de torturar garota – alega-se traumas de infância. Não fui o médico de nenhum desses casos, não posso julgá-los. Só quero apontar como a Psiquiatria tem se tornado uma alternativa cada vez mais comum para justificar atos criminosos.

Nunca vi ninguém dizer que estava “fora de si” ou sob efeito de remédios ao cometer um ato digno de elogio, como salvar uma criança se afogando. FUI EU! Mas se fui pego com a boca na botija, em ato ilegal, ah, não fui eu, não. “Foi o remédio que eu tava tomando.” Ou a falta dele...

(...) Ler o texto completo

quarta-feira, 19 de março de 2008

A BELEZA ACORRENTADA E TORTURADA

(Artigo publicado no jornal O Popular de 19/03/08.)

No início dos anos 70, um psicólogo (Philip Zimbardo) idealizou uma experiência, para a qual convidou jovens universitários “comuns”. Dividiu-os em dois grupos, uns seriam os guardas e outros os prisioneiros, mantidos em celas. E incentivou os “guardas” a terem um comportamento autoritário. O estudo deveria durar duas semanas. Teve que ser interrompido no sexto dia: os “guardas” haviam tornado-se sádicos, abusando fisicamente e psicologicamente daqueles “prisioneiros” que, alguns dias antes, eram colegas com os quais cruzavam diariamente pelo câmpus. Jovens antes pacíficos, com um pouco de liberdade e estímulo tornam-se perversos. De onde vem o Mal?

O caso, recentemente descoberto, da garota de 12 anos supostamente acorrentada e torturada pela própria mãe (pela própria mãe!) adotiva abre um leque de discussões, como a da política de adoções. Mas reflitamos sobre o Mal, independentemente da culpa ou não desta mãe acusada.

O ser humano é um bicho estranho. Inventou as roupas, o papel higiênico com cheiro de pêssego e o pudor, todas estas coisas que nos elevam sobre os animais. Mas a tortura, ah, essa também só um humano é capaz de planejar, de engrendar, de se satisfazer com ela.

Nada parece ser capaz de deter o Mal. Justiça rápida e eficaz, punições severas? Se isso bastasse, os Estados Unidos não seriam o país com mais serial killers no mundo. Religião? Os padres pedófilos, em contato diário com a palavra de Deus, não foram contidos por ela. O Mal está no meio de nós. Que atire a primeira pedra aquele que nunca teve vontade de torturar um torturador desses. Opa, não atire a pedra, ou você também será um de nós!

Sádicos (estupradores, assassinos) freqüentemente relatam que o prazer que sentem ao ver a dor de alguém é comparável a “sentir-se como Deus”. Uma visão bem distorcida do conceito tradicional de Deus, por certo! “A realidade humana é puro empenho para fazer-se Deus”, disse o filósofo francês Jean-Paul Sartre.

Esta necessidade de poder pode ser canalizada de diversas formas. Umas mais aceitas culturalmente, como a do homem que não sossegou até ser eleito e re-eleito presidente do país. Outras mais trágicas, como o velho tirano que só consegue “possuir” uma jovem garota se a acorrentar.

Crimes passionais. Pais que agridem filhos que fogem de suas rédeas. Podemos, com algum esforço, ver certo tipo de violência como necessidade de amor, de reconhecimento. Carência gerando violência. Mas a violência não gerará amor no agredido, só raiva, desprezo pelo agressor. Que se sentirá ainda mais solitário e vil. Esta será sua maior punição, e virá de suas próprias e pesadas mãos.

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